AO MEU IRMÃO FRED, do blog
http://www.theiaviva.blogspot.com/
Por ocasião de sua Graduação em Filosofia
O poema a seguir de sua autoria , quando ainda garoto, nos anos setenta, demonstra a sua verve filosófica instigada pelos tempos de opressão em que duramente vivíamos, e que transitavam dos valores irrefletidos da tradicional família mineira aos piores momentos da ditadura militar ,que não era, como muitos equivocadamente acreditam, "honesta". Embora, mesmo se fosse ,não justificaria. Desapareciam pessoas, verbos e verbas.
O MENSAGEIRO
O que pode um poeta
numa tarde de sábado,
quando o silêncio vem
mais tenebroso
que o trovejar de bombas?
Convocar os homens
para uma rodada de poquer?
E as mulheres
para a vigilância eterna
da castidade humana?
Um anjo, de longe,
acenou em fuga:
argumenta o contabilista
no arranjo final
de sua arquitetura contábil
Pois ora veja,
que os jornais falam de guerra
(da garra da guerra).
Falam até que o Barnabé
rimando com Malomé
comprou uma mula do Mané,
mas depois morreu todo mundo
depois das 6 da tarde.
E o que pode o poeta?
- Não mais chorar sobre os mortos.
- Não mais lamentar os destroços.
- Não mais remover os trastes
da fidalguia em conflitos de honra.
( os mortos cuidem
dos mortos ).
Da boca de um Arcanjo
dado a pileques suburbanos
vem a mensagem de vida
a despeito de todo ruído,
que tenta amedrontar
a rebeldia estética
da aurora que vem chegando.
E vem sem disfarce,
com uma claridade
que faz tremer
a mínima transação
no mercado da fome.
Desta fábula extraio dos trovões
a voz anônima e universal
que explode em sonora negação:
Não. Não haverá pactos
obscuros.
Nem conversa ao pé do ouvido
com coisa de quem tem medo
das revelações cristalinas.
Nem haverá sábado preguiçoso
de televisão e sol quente,
para depois o desespero
da noite que oculta tudo.
Com minha irreverência
medo e outras limitações
ensaio o verbo que se avizinha
para a mais autêntica
profissão de fé:
Haveremos de sobreviver
irmão que batalha.
Haveremos de recolher
no outono próximo
o resultado sem pretensão
deste canto de vida
E posto que me aprouve
o singular canto dos
visionários
já nem mais
será perguntado:
- e o que pode o poeta?
Pois o futuro
emerge como poema
na brisa leve da manhã.
Frederico Ozanam Drummond
do livro Anjo Vingador
sábado, 4 de abril de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
ANOS DOURADOS
EROS I (endecha)
Compras
Nas prateleiras do supermercado
viajo minha fantasia
entre esponjas de bom-bril
apagam-se os meus sonhos de namorada
Onde estará você
e o seu cotidiano?
tão longe e tão perto
alcanço latas e caixas
misturo o ácido e o doce
o seu olhar flechando os meus seios
a pequena lágrima rola entre as curvas do decote
o carrinho se avoluma
volumes pesados
agigantam-se em
sua fragilidade
pernas
o movimento
caminhos opostos
as prateleiras inertes
preços
avaliá-los é tocar na ferida
misturar os rótulos
custo da vida
contabilidade da paixão
Compras
Nas prateleiras do supermercado
viajo minha fantasia
entre esponjas de bom-bril
apagam-se os meus sonhos de namorada
Onde estará você
e o seu cotidiano?
tão longe e tão perto
alcanço latas e caixas
misturo o ácido e o doce
o seu olhar flechando os meus seios
a pequena lágrima rola entre as curvas do decote
o carrinho se avoluma
volumes pesados
agigantam-se em
sua fragilidade
pernas
o movimento
caminhos opostos
as prateleiras inertes
preços
avaliá-los é tocar na ferida
misturar os rótulos
custo da vida
contabilidade da paixão
segunda-feira, 2 de março de 2009
ANOS DOURADOS
TROPICÁLIA I
Esse menino entrou na minha vida
como uma pipa nas brincadeiras de criança
dissonante como um trator que rasga a terra
e fecunda
De repente
instalou-se no meu
QUARTO
na minha solidão
e cresceu
cogumelo mágico
de flores
nos cabelos longos cansados da noite
trouxe uma leve brisa anunciando o dia
menino de graça
de sonhos tamanhos
que a vida não passa sem nele passar
menino sem farsa
de vida vivida
a dor da desdita
não há de ficar
menino com alma
de doce memória
os riscos de outrora
me fazem lembrar
que a vida é eterna no instante que passa
visão (in) flamada de luz ao luar
menino tardio
lembranças do Rio
da infância perdida
na beira do mar
menino eu te gosto
amigo te quero
promessa de vida,
de dom
de ousar.
Esse menino entrou na minha vida
como uma pipa nas brincadeiras de criança
dissonante como um trator que rasga a terra
e fecunda
De repente
instalou-se no meu
QUARTO
na minha solidão
e cresceu
cogumelo mágico
de flores
nos cabelos longos cansados da noite
trouxe uma leve brisa anunciando o dia
menino de graça
de sonhos tamanhos
que a vida não passa sem nele passar
menino sem farsa
de vida vivida
a dor da desdita
não há de ficar
menino com alma
de doce memória
os riscos de outrora
me fazem lembrar
que a vida é eterna no instante que passa
visão (in) flamada de luz ao luar
menino tardio
lembranças do Rio
da infância perdida
na beira do mar
menino eu te gosto
amigo te quero
promessa de vida,
de dom
de ousar.
ANOS DOURADOS
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
PRODUTOR CULTURAL SETELAGOANO EM SÃO PAULO

OS SONS DEVEM SER AGARRADOS NO VÔO PELAS ASAS!
O trabalho do pessoal da Cia Lúdica é simplesmente fantástico: Paulo (meu irmão) e Márcia (minha cunhada) estão entre os mais corajosos produtores culturais que conheço. E conheço muitos. A primeira versão desta peça tinha o seguinte nome: Aula! Que Absurdo! Para professores de filosofia que procuram material de qualidade para a reflexão dos seus alunos, aquí tem um ótimo exemplo. Confira, porque vale a pena. "Os Sons devem ser agarrados no vôo pelas asas! é uma nova leitura que a Cia. Lúdica faz do primeiro espetáculo montado para o seu repertório: A Aula. Desta forma, Os Sons... também é inspirado no texto "La Leçon", de Eugène Ionesco, porém sua encenação transgride e transcende a própria cena de Ionesco. Esta transgressão consideramos uma homenagem ao mestre, pelo que se conhece do seu rico e livre pensamento. Considerado o pai do Teatro do Absurdo, Ionesco foi um dos mais importantes e polêmicos dramaturgos do século XX. Encenação contemporânea, em Os Sons... não há nada de "novelinha" nem "historinha". É Teatro puro, denso, provocativo, desafiador. Pode ser a um só tempo cômico e dramático. Se em alguns momentos conduz o espectador a uma emoção viva, noutros pode aguçar a sua consciência crítica. O que há é o Teatro na sua acepção mais soberana e profunda, ou seja, a de ser um revolvedor, um investigador da alma humana e de seus desejos, medos, angústias e sonhos." (fonte: www.cialudica.com.br)
Postado por Frederico Drummond às 08:33
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