quinta-feira, 19 de julho de 2012

REDEMOCRATIZAÇÃO, ESCOLA E ENSINO DA LÍNGUA

Li o texto do João Drummond narrando a história de um professor catedrático que,numa viagem de ônibus, se irritava com a conversa de dois matutos, por causa do linguajar dos mesmos. Sobre a história, e a partir da mesma ,desejo fazer alguma considerações.
Em 1970, na UFMG,o meu professor de Português, Luis Carlos Alves, escreveu um livro com o título, GRAMÁTICA NUNCA MAIS, em que propunha o ensino da Língua sem a decoreba da Gramática, e sim através da produção de textos. Adorei, especialmente porque quando frequentava os antigos cursos ,ginasial e normal, as aulas de português se resumiam em análises sintáticas,especificamente, de "Os Lusíadas", primoroso poema épico de Camões. Em casa escrevia poemas adolescentes, na escola nada.

Ainda na Faculdade de Educação, aprendi com a inesquecível mestra Magda Soares que não se aprende a escrever corretamente fazendo exercícios isolados de aplicação da gramática.

Como futuros professores de Português, Comunicaçao e Expressão ou Língua Portuguesa ( como quiserem) deveríamos nos empenhar em levar nossos alunos a escrever diversos tipos de diferentes textos. Ao revisar os textos juntamente com os alunos,nos orientaríamos

Isso me fazia lembrar da época em que eu era obrigada a estudar ênclises, próclises e mesóclises de verbos que eu nunca usaria e nem sabia o significado. para o professor se colocar diante de mim como o Diretor do Ateneu, de Raul Pompéia, que a cidade respeitava e admirava porque não entendia nada do que ele dizia.


Os Velhos

Todos nasceram velhos — desconfio.
Em casas mais velhas que a velhice,
em ruas que existiram sempre — sempre
assim como estão hoje
e não deixarão nunca de estar:
soturnas e paradas e indeléveis
mesmo no desmoronar do Juízo Final.
Os mais velhos têm 100, 200 anos
e lá se perde a conta.
Os mais novos dos novos,
não menos de 50 — enorm'idade.
Nenhum olha para mim.
A velhice o proíbe. Quem autorizou
existirem meninos neste largo municipal?
Quem infrigiu a lei da eternidade
que não permite recomeçar a vida?
Ignoram-me. Não sou. Tenho vontade
de ser também um velho desde sempre.
Assim conversarão
comigo sobre coisas
seladas em cofre de subentendidos
a conversa infindável de monossílabos, resmungos,
tosse conclusiva.
Nem me vêem passar. Não me dão confiança.
Confiança! Confiança!
Dádiva impensável
nos semblantes fechados,
nos felpudos redingotes,
nos chapéus autoritários,
nas barbas de milénios.
Sigo, seco e só, atravessando
a floresta de velhos.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Boitempo'

quarta-feira, 4 de julho de 2012

SE NAMORADA...


Leio Saramago como se namorada fosse
Concluo e conclamo a morte como um bálsamo

Memórial do Convento e um plano vôo de  Blimunda

A dor dos que são calados pelo vento.
Viver é morrer lentamente em vão...

No desvão da memória vivamos de palavras.
Até que a vida nos separe para sempre.

Inferno de Dante.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

ANIVERSARIO EM QUIXADÁ



As paredes frias tateavam o chão
O silêncio mudo me olhava sorrateiro
A tarde se esvaía na modorra
A chuva não vinha
Imóvel, calada no tempo
Formigas iam e vinham na fresta do cimento
Eu nada sabia do castigo
Quatros anos de MENINA
Passavam...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

INTERLÚDIO




Quando  sair de cena
Sairei de lado
Devagar como entrei
Inútil
Sem pais
Sem país
Sem vida
Sem histórias pra contar
Sairei ao vento
pela cortina rota e suja

que entrei.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

VOU BRINCAR DE ESCRITORA

Vou brincar de escritora
sair da letargia
do medo de escrever meu segredo

vou brincar de escritora
invocar meus saramagos
drummond e´sagrado

estatua na praia
no mar de ipanema

vou brincar de escritora

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Lungaretti e a mídia sobre o caso Battisti

18 de Abril de 2011 - 15h53



Lungaretti espinafra a cobertura da mídia sobre o caso Battisti



O jornalista e ex-preso político Celso Lungaretti integrou o grupo que, em 2009, visitou o italiano Cesare Battisti na penitenciária da Papuda em Brasília. Seu objetivo era ouvir a versão pessoal de Battisti — que foi condenado na Itália por quatro homicídios e aguarda decisão da Justiça brasileira.

Em entrevista a Luiz Gustavo Pacete, do Portal Imprensa, Lungaretti lembra que, quando visitou Battisti, presenciou um perfil do escritor muito diferente do que a imprensa retrata. A experiência o motivou ainda mais a defender uma campanha pela libertação de Battisti, em oposição à grande mídia.



Segundo Lungaretti, a primeira impressão do presídio em que está o italiano foi pouco opressiva. "Abracei Battisti sem que nenhum segurança se preocupasse com a possibilidade de lhe passar algum contrabando. Decididamente, não o consideram perigoso", ironiza.



O jornalista, de 58 anos, critica a forma como o italiano é retratado na imprensa brasileira: "Já passei pelos porões e prisões da ditadura, sei de uma série de fotos do Cesare, feitas por um profissional. Muitas o tornarão simpático aos leitores e outras não", afirma sobre a manipulação de imagens que pode ser feita na prisão. Lungaretti passou por torturas em unidades do Destacamento de Operações de Informações (DOI) e Centro de Operações de Defesa Interna de SP e RJ quando foi preso político.



Leia abaixo a entrevista.





Portal Imprensa: Muitos de seus artigos criticam a cobertura da imprensa sobre o caso Battisti...

Celso Lungaretti: A próxima decisão sobre o caso está por vir, acredito que depois da semana santa. E vejo agora que na reta final parece que a imprensa pretensiosa não vê mais chance de interferir no caso. Ela parece ter tirado seu time de campo após ter conduzido uma ação orquestrada por parte de alguns jornais e revistas quando o então ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou o refúgio. 19 abr

Jaime

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Amanda é espelho que se move em dois sentidos rompe...se rompe...aqui e acolá em busca de Outro... Wanda é, o nome