18 de Abril de 2011 - 15h53
Lungaretti espinafra a cobertura da mídia sobre o caso Battisti
O jornalista e ex-preso político Celso Lungaretti integrou o grupo que, em 2009, visitou o italiano Cesare Battisti na penitenciária da Papuda em Brasília. Seu objetivo era ouvir a versão pessoal de Battisti — que foi condenado na Itália por quatro homicídios e aguarda decisão da Justiça brasileira.
Em entrevista a Luiz Gustavo Pacete, do Portal Imprensa, Lungaretti lembra que, quando visitou Battisti, presenciou um perfil do escritor muito diferente do que a imprensa retrata. A experiência o motivou ainda mais a defender uma campanha pela libertação de Battisti, em oposição à grande mídia.
Segundo Lungaretti, a primeira impressão do presídio em que está o italiano foi pouco opressiva. "Abracei Battisti sem que nenhum segurança se preocupasse com a possibilidade de lhe passar algum contrabando. Decididamente, não o consideram perigoso", ironiza.
O jornalista, de 58 anos, critica a forma como o italiano é retratado na imprensa brasileira: "Já passei pelos porões e prisões da ditadura, sei de uma série de fotos do Cesare, feitas por um profissional. Muitas o tornarão simpático aos leitores e outras não", afirma sobre a manipulação de imagens que pode ser feita na prisão. Lungaretti passou por torturas em unidades do Destacamento de Operações de Informações (DOI) e Centro de Operações de Defesa Interna de SP e RJ quando foi preso político.
Leia abaixo a entrevista.
Portal Imprensa: Muitos de seus artigos criticam a cobertura da imprensa sobre o caso Battisti...
Celso Lungaretti: A próxima decisão sobre o caso está por vir, acredito que depois da semana santa. E vejo agora que na reta final parece que a imprensa pretensiosa não vê mais chance de interferir no caso. Ela parece ter tirado seu time de campo após ter conduzido uma ação orquestrada por parte de alguns jornais e revistas quando o então ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou o refúgio. 19 abr
Jaime
quinta-feira, 5 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
MUDARAM AS CRIANÇAS?
Sueli Caramello Uliano
Brequei para não levar porrada, mas levei
Dou-me conta de que tropecei nos últimos anos em semáforos que, mais do que parar, me fizeram pensar... Ou seja, brequei para não levar porrada, mas levei. Conto aqui alguns casos que de alguma forma se entrelaçam, certa de que ninguém me acusará de estar tocando trombeta à frente de umas parcas esmolas.
Há alguns anos, estando em evidência uma das piores rebeliões na Febem, parei num cruzamento de grandes avenidas. O dia estava quente, o trânsito ruim... E eu no esforço, acreditando que ia dar tempo para tudo, ora se ia! Observo distraída um garoto de treze ou catorze anos... E ele rouba-me de repente a atenção com um gesto aparentemente banal: aproxima-se de um carro e levanta a camisa para mostrar-se desarmado, depois estende a mão e os olhos em direção ao motorista que faz por ignorá-lo. Repete o gesto, repete-se a indiferença... e o menino vem caminhando, descalço, frustrado. Dói-me essa humilhação de pôr-se sob suspeita, de sentir-se acusado esmolando inocência, alegando eu peço mais num róbo, quem sabe! Semáforo demorado, vou-me sentindo espremida entre o vermelho e o menino que avança... Quando, no entanto, ele faz menção de passar à minha direita, não me contenho e faço-lhe um sinal... E me lembro tardiamente de que o último troquinho eu tinha usado na padaria. Fico, assim, entre a carteira e o menino que encostou na minha janela. A menor nota é de dez! Abro uma nesga do vidro e passo a nota dobrada. O menino dá dois passos para trás, ergue os braços arqueados, as mãos fechadas em punhos e se põe a pular e gritar obrigado, dona,Deus lhe pague, dona... E eu queria sumir no banco, acusada por todos os lados por alimentar essa cambalhada, por dar dinheiro que não se sabe como vai ser gasto, dinheiro para droga? para "pais de rua"? Sei lá! Só sei que vi o rapaz correr por entre os carros como se levasse um tesouro, uma fortuna. Tomara levasse um pouco de dignidade. Para mim, caía por terra o mito de que se fatura uma fortuna nessa mendicância.
Lembrei-me desse episódio devido a este, mais recente: parada num semáforo, observo a garotinha magricela que caminha mancando, os pés descalços pelando no asfalto, um sol ardido de meio-dia. Paro no mesmo local duas horas depois e lá está a menina, que, desta vez chega até mim. Pergunto-lhe por que manca e ela explica: é que eu tô cum furunculão na sola du pé, tia!. A mãe? Está no outro semáforo e vai levá-la à farmácia mais tarde. Chateada e impotente, abro a carteira e passo-lhe um real pela fresta do vidro. A pequena agradece e num tom sofrido de quem confere, cansada, o resultado da própria competência nesta dureza de vida, suspira: É o meu primeiro real, hoje, tia! E eu, ainda com a carteira na mão, não tenho dúvidas: dou dez. A menina parece travada, olha ao redor de si e diz num choramingo: Déis real! Onze real! Um companheirinho - talvez irmão - implora-me, colado ao vidro, com o olhar... E olha para a menina, consciente de que a fonte esgotou-se. E a menina entrega a ele a nota de um real. O sinal verde abre-me o caminho de fuga.
Dias depois, mesmo lugar, paro na primeira fila rente à faixa de pedestres, e lá vem o miúdo suposto irmão, sem camisa, o calçãozinho desabado nas ancas. Pára à esquerda do carro, logo à frente, estende uma cordinha no chão e me instrui com a voz e com o gesto: Vem, tia, avança! E eu obedeço, engatando a primeira e... Volta, tia, volta um pouquiiinho... Engato a ré... Aí... isso, tia! E ele se põe a puxar com força, satisfeito, a corda que ficou presa sob o pneu, rindo da proeza que - permitam-me - nós realizamos. Depois ele encosta o rosto no vidro onde mal alcança e, como eu esperava, pede: Posso fazer um bibi, aí, tia? Surpresa, hesito em abrir a janela, com a impressão de que ele não alcançará a buzina... E o verde vem estragar a nossa brincadeira. Da próxima vez eu deixo! Imagino a orquestra de bibis que me atacariam se eu ficasse ali, brincando!!!
No mesmo dia, à noite, do outro lado da cidade, estou no carro lotado de amigas, mas, desta vez, no banco do co-piloto. O moleque - talvez oito ou dez anos - chega-se à janela da motorista, imprudentemente aberta devido ao calor. Dá uma moeda aí, tia. A Meire explica que não tem troco. Ele engrossa a voz e repete ameaçadoramente gutural: Dá uma moeda, aí! E eu vejo, contrariada, que a Meire começa a catar no porta-treco do carro algumas moedas. Moeda, mesmo? Ou você quer nota? Sem resposta, ela entrega as moedinhas e o menino se afasta. Meire! - estou boquiaberta com a mansidão dela - O menino engrossa a voz e você obedece? É ela quem se surpreende, então. E você não viu o caco de vidro? Se eu mexo o braço esquerdo, ele me risca com a ponta. De fato, eu não vira que o pequeno estava "armado"!
Sei que todos têm muitas histórias como essas para contar. Além de que - ninguém o ignora - há desfechos terrivelmente trágicos. Que fazem essas crianças nas ruas? Meu pai, filho de imigrantes italianos, aos seis anos subia numa banqueta para fazer pequenos trabalhos manuais. Minha mãe, aos doze, trabalhava, com documentos falsos, numa tecelagem. E assim todos os meus tios e tias mais velhos brincavam de ganhar trocados entregando jornais e engraxando sapatos, ajudando na quitanda na hora de maior movimento, levando o almoço para o pai, na fábrica. Se havia exploração, era uma exploração que, via de regra, não resultava em delinqüência. E fora isso, já no meu tempo, todos gostávamos e pedíamos, às vezes: Mãe, posso brincar na rua? Porque a rua era espaçosa e agradável, dava para correr num pega-pega veloz, montar um mãe-da-rua autêntico, andar de bicicleta e carrinho de rolimã na calçada larga; bandidos e mocinhos escondiam-se atrás dos postes de iluminação.
Mudaram as crianças? Não! Com certeza, não! As crianças continuam brincando de ganhar trocados, ou roubá-los e enfrentar um pega-pega, e cumprir com as exigências da mãe-de-rua, do pai-de-rua. Não mudaram as crianças! Mudou, sem dúvida, a família que as acolhe. E mudou a rua! É claro que não defendo a exploração de pôr criança para trabalhar... Mas também não defendo a delinqüência! Defendo, sim, o direito de receber educação, de aprender as exigências da vida a cada passo, a cada ano, na dose certa. E defendo a oportunidade de brincar, de vibrar com as descobertas, de sonhar com um bibi... Porém não nas ruas de hoje... Defendo a austeridade de um governo que tenha moral de proibir a criança na rua e lhe dê escola e amparo antes de que se torne infrator. Que saiba defender esse brasileirinho mirrado, essa vida severina, sem olhá-la como se fosse a escória que não devia ter nascido. E fazer dela um rebento de oliveira, ao redor da mesa farta, no calor de um lar. Porque nesse jogo de brincadeiras e irresponsabilidade que rola nas ruas de hoje, já não se aprende a ser mocinho. A escola é para bandidos que, às vezes, brincam de matar, outras, de morrer.
--------------------------------------------------------------------------------
Sueli Caramello Uliano , mãe de familia, pedagoga, Mestra em Letras pela Universidade de São Paulo, Presidente do Conselho da ONG Família Viva, Colunista do Portal da Família e consultora para assuntos de adolescência e educação.
É autora do livro Por um Novo Feminismo pela QUADRANTE, Sociedade de Publicações Culturais.
e-mail: scaramellu@terra.com.br
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Brequei para não levar porrada, mas levei
Dou-me conta de que tropecei nos últimos anos em semáforos que, mais do que parar, me fizeram pensar... Ou seja, brequei para não levar porrada, mas levei. Conto aqui alguns casos que de alguma forma se entrelaçam, certa de que ninguém me acusará de estar tocando trombeta à frente de umas parcas esmolas.
Há alguns anos, estando em evidência uma das piores rebeliões na Febem, parei num cruzamento de grandes avenidas. O dia estava quente, o trânsito ruim... E eu no esforço, acreditando que ia dar tempo para tudo, ora se ia! Observo distraída um garoto de treze ou catorze anos... E ele rouba-me de repente a atenção com um gesto aparentemente banal: aproxima-se de um carro e levanta a camisa para mostrar-se desarmado, depois estende a mão e os olhos em direção ao motorista que faz por ignorá-lo. Repete o gesto, repete-se a indiferença... e o menino vem caminhando, descalço, frustrado. Dói-me essa humilhação de pôr-se sob suspeita, de sentir-se acusado esmolando inocência, alegando eu peço mais num róbo, quem sabe! Semáforo demorado, vou-me sentindo espremida entre o vermelho e o menino que avança... Quando, no entanto, ele faz menção de passar à minha direita, não me contenho e faço-lhe um sinal... E me lembro tardiamente de que o último troquinho eu tinha usado na padaria. Fico, assim, entre a carteira e o menino que encostou na minha janela. A menor nota é de dez! Abro uma nesga do vidro e passo a nota dobrada. O menino dá dois passos para trás, ergue os braços arqueados, as mãos fechadas em punhos e se põe a pular e gritar obrigado, dona,Deus lhe pague, dona... E eu queria sumir no banco, acusada por todos os lados por alimentar essa cambalhada, por dar dinheiro que não se sabe como vai ser gasto, dinheiro para droga? para "pais de rua"? Sei lá! Só sei que vi o rapaz correr por entre os carros como se levasse um tesouro, uma fortuna. Tomara levasse um pouco de dignidade. Para mim, caía por terra o mito de que se fatura uma fortuna nessa mendicância.
Lembrei-me desse episódio devido a este, mais recente: parada num semáforo, observo a garotinha magricela que caminha mancando, os pés descalços pelando no asfalto, um sol ardido de meio-dia. Paro no mesmo local duas horas depois e lá está a menina, que, desta vez chega até mim. Pergunto-lhe por que manca e ela explica: é que eu tô cum furunculão na sola du pé, tia!. A mãe? Está no outro semáforo e vai levá-la à farmácia mais tarde. Chateada e impotente, abro a carteira e passo-lhe um real pela fresta do vidro. A pequena agradece e num tom sofrido de quem confere, cansada, o resultado da própria competência nesta dureza de vida, suspira: É o meu primeiro real, hoje, tia! E eu, ainda com a carteira na mão, não tenho dúvidas: dou dez. A menina parece travada, olha ao redor de si e diz num choramingo: Déis real! Onze real! Um companheirinho - talvez irmão - implora-me, colado ao vidro, com o olhar... E olha para a menina, consciente de que a fonte esgotou-se. E a menina entrega a ele a nota de um real. O sinal verde abre-me o caminho de fuga.
Dias depois, mesmo lugar, paro na primeira fila rente à faixa de pedestres, e lá vem o miúdo suposto irmão, sem camisa, o calçãozinho desabado nas ancas. Pára à esquerda do carro, logo à frente, estende uma cordinha no chão e me instrui com a voz e com o gesto: Vem, tia, avança! E eu obedeço, engatando a primeira e... Volta, tia, volta um pouquiiinho... Engato a ré... Aí... isso, tia! E ele se põe a puxar com força, satisfeito, a corda que ficou presa sob o pneu, rindo da proeza que - permitam-me - nós realizamos. Depois ele encosta o rosto no vidro onde mal alcança e, como eu esperava, pede: Posso fazer um bibi, aí, tia? Surpresa, hesito em abrir a janela, com a impressão de que ele não alcançará a buzina... E o verde vem estragar a nossa brincadeira. Da próxima vez eu deixo! Imagino a orquestra de bibis que me atacariam se eu ficasse ali, brincando!!!
No mesmo dia, à noite, do outro lado da cidade, estou no carro lotado de amigas, mas, desta vez, no banco do co-piloto. O moleque - talvez oito ou dez anos - chega-se à janela da motorista, imprudentemente aberta devido ao calor. Dá uma moeda aí, tia. A Meire explica que não tem troco. Ele engrossa a voz e repete ameaçadoramente gutural: Dá uma moeda, aí! E eu vejo, contrariada, que a Meire começa a catar no porta-treco do carro algumas moedas. Moeda, mesmo? Ou você quer nota? Sem resposta, ela entrega as moedinhas e o menino se afasta. Meire! - estou boquiaberta com a mansidão dela - O menino engrossa a voz e você obedece? É ela quem se surpreende, então. E você não viu o caco de vidro? Se eu mexo o braço esquerdo, ele me risca com a ponta. De fato, eu não vira que o pequeno estava "armado"!
Sei que todos têm muitas histórias como essas para contar. Além de que - ninguém o ignora - há desfechos terrivelmente trágicos. Que fazem essas crianças nas ruas? Meu pai, filho de imigrantes italianos, aos seis anos subia numa banqueta para fazer pequenos trabalhos manuais. Minha mãe, aos doze, trabalhava, com documentos falsos, numa tecelagem. E assim todos os meus tios e tias mais velhos brincavam de ganhar trocados entregando jornais e engraxando sapatos, ajudando na quitanda na hora de maior movimento, levando o almoço para o pai, na fábrica. Se havia exploração, era uma exploração que, via de regra, não resultava em delinqüência. E fora isso, já no meu tempo, todos gostávamos e pedíamos, às vezes: Mãe, posso brincar na rua? Porque a rua era espaçosa e agradável, dava para correr num pega-pega veloz, montar um mãe-da-rua autêntico, andar de bicicleta e carrinho de rolimã na calçada larga; bandidos e mocinhos escondiam-se atrás dos postes de iluminação.
Mudaram as crianças? Não! Com certeza, não! As crianças continuam brincando de ganhar trocados, ou roubá-los e enfrentar um pega-pega, e cumprir com as exigências da mãe-de-rua, do pai-de-rua. Não mudaram as crianças! Mudou, sem dúvida, a família que as acolhe. E mudou a rua! É claro que não defendo a exploração de pôr criança para trabalhar... Mas também não defendo a delinqüência! Defendo, sim, o direito de receber educação, de aprender as exigências da vida a cada passo, a cada ano, na dose certa. E defendo a oportunidade de brincar, de vibrar com as descobertas, de sonhar com um bibi... Porém não nas ruas de hoje... Defendo a austeridade de um governo que tenha moral de proibir a criança na rua e lhe dê escola e amparo antes de que se torne infrator. Que saiba defender esse brasileirinho mirrado, essa vida severina, sem olhá-la como se fosse a escória que não devia ter nascido. E fazer dela um rebento de oliveira, ao redor da mesa farta, no calor de um lar. Porque nesse jogo de brincadeiras e irresponsabilidade que rola nas ruas de hoje, já não se aprende a ser mocinho. A escola é para bandidos que, às vezes, brincam de matar, outras, de morrer.
--------------------------------------------------------------------------------
Sueli Caramello Uliano , mãe de familia, pedagoga, Mestra em Letras pela Universidade de São Paulo, Presidente do Conselho da ONG Família Viva, Colunista do Portal da Família e consultora para assuntos de adolescência e educação.
É autora do livro Por um Novo Feminismo pela QUADRANTE, Sociedade de Publicações Culturais.
e-mail: scaramellu@terra.com.br
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
MORTE DO PROFESSOR KASSIO
A morte dolorosa desse professor é , pela minha experiência de 41 anos de magistério,expressão extrema do desrespeito que permeia o dia a dia de escolas estaduais e particulares ,em vários sentidos.
Merece uma profunda reflexão.
A Escola, que deve ser transformadora, tem reproduzido, muitas vezes, as piores práticas do capitalismo corrupto em que vivemos. O pior é que são práticas não tão perceptíveis como sendo violentas. Desrespeitos a leis trabalhistas. Manipulação nas contratações. Assédio moral.
Isso tudo praticado pelas gestôes despreparadas com relação a professores, funcionários e alunos.
A alienaçao política dos professores enquanto grupo que não percebe nos "deslizes" cotidianos praticados atos de corrupçâo, e que opta por se calar para não ficar "mal" com as escola ou ,o que é pior, levar vantagem com a perda do colega , gera um ambiente perverso de falsidade, de insegurança,de muito desgaste e conflitos que vão refletir no ambiente de sala de aula.Professores que não são respeitados, nao respeitam colegas e acabam por desrespeitar o direito dos alunos, como bem avaliar, entregar notas em dia e,o pior, até humilhar.
E, muitas vezes, os que tentam ser melhores, justos, honestos é que pagam os mais altos preços. As tensões vão se acumulando e a corda rebenta em qualquer lugar.
Estou desolada e perplexa. O sentimento que tenho é que a Escola não quer mudar, e por isso está implodindo.A Escola doente adoece cada vez mais os seus.
Onde a Salvação?
Merece uma profunda reflexão.
A Escola, que deve ser transformadora, tem reproduzido, muitas vezes, as piores práticas do capitalismo corrupto em que vivemos. O pior é que são práticas não tão perceptíveis como sendo violentas. Desrespeitos a leis trabalhistas. Manipulação nas contratações. Assédio moral.
Isso tudo praticado pelas gestôes despreparadas com relação a professores, funcionários e alunos.
A alienaçao política dos professores enquanto grupo que não percebe nos "deslizes" cotidianos praticados atos de corrupçâo, e que opta por se calar para não ficar "mal" com as escola ou ,o que é pior, levar vantagem com a perda do colega , gera um ambiente perverso de falsidade, de insegurança,de muito desgaste e conflitos que vão refletir no ambiente de sala de aula.Professores que não são respeitados, nao respeitam colegas e acabam por desrespeitar o direito dos alunos, como bem avaliar, entregar notas em dia e,o pior, até humilhar.
E, muitas vezes, os que tentam ser melhores, justos, honestos é que pagam os mais altos preços. As tensões vão se acumulando e a corda rebenta em qualquer lugar.
Estou desolada e perplexa. O sentimento que tenho é que a Escola não quer mudar, e por isso está implodindo.A Escola doente adoece cada vez mais os seus.
Onde a Salvação?
sábado, 20 de novembro de 2010
Receita para se esquecer um grande amor
Marcelo Maroldi
+ de 232900 Acessos
+ 101 Comentário(s)
Às vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.
Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").
E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.
Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").
Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.
Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.
Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.
Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida...
(Mario Quintana, "Inscrição para uma lareira")
"O ganhador", Lêdo Ivo (sempre ele!):
Tudo o que ganhei se desfez no ar como uma metáfora.
Agora só guardo o que perdi:
o vento que soprava na colina,
a neve que caía no aeroporto
e o teu púbis dourado, o teu púbis dourado.
Nota do Autor
Este texto faz parte da trilogia que começou com "Dos amores possíveis".
Marcelo Maroldi
São Carlos, 3/8/2006
Marcelo Maroldi
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Às vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.
Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").
E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.
Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").
Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.
Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.
Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.
Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida...
(Mario Quintana, "Inscrição para uma lareira")
"O ganhador", Lêdo Ivo (sempre ele!):
Tudo o que ganhei se desfez no ar como uma metáfora.
Agora só guardo o que perdi:
o vento que soprava na colina,
a neve que caía no aeroporto
e o teu púbis dourado, o teu púbis dourado.
Nota do Autor
Este texto faz parte da trilogia que começou com "Dos amores possíveis".
Marcelo Maroldi
São Carlos, 3/8/2006
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
THEIA VIVA - Tecnologia Social - Uma Revista Eletrônica: PORQUE TRIPUDIAR SOBRE NOSSOS COMBATENTES? ISTO AG...
THEIA VIVA - Tecnologia Social - Uma Revista Eletrônica: PORQUE TRIPUDIAR SOBRE NOSSOS COMBATENTES? ISTO AG...: "Não faz muito tempo resgatei neste Blog um pouco da história daqueles da minha geração que decidiram participar ativamente no combate à dita..."
domingo, 4 de julho de 2010
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